A primeira coisa que comprei com meu próprio dinheiro foi um livro de poemas e você estava lá. Eu lembro como se fosse ontem, você sabia o que falar e o que fazer para eu me sentir especial - e isso inclui comprar aquele livro.
Lembro que fiquei feliz, era meu primeiro salário e o livro era do meu autor favorito. Você estava lá. Você lembra?
É engraçado porque o livro significa uma espécie de "fim" e eu chorei quanfdo o li - você também estava lá.
É engraçado porque a história deste livro poderia ser a nossa história mas a nossa história não teve final, parece que as coisas entre nós dois são sempre maresia. Estão sempre indo e vindo. Nunca acabam.
A história desse livro agora é a minha história e a tua história e aquele casal agora somos nós e tudo parece tão confuso e tão real e tão plausível..
Mas tuas poesias sempre estarão aqui, teu cabelo enrolado sempre estará aqui assim como as bochechas coradas pelo sol.
Vai estar tudo sempre aqui junto do livro de poesia.
Céu com Diamantes.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Creme de morangos, memórias ou sobre a primeira dor.
Quando eu tinha 8 anos de idade esse doce me foi apresentado. Não que eu nunca tivesse o comido anteriormente, mas, desta vez, ele era especial.
Eu estudava num colégio de freiras e saía bem tarde da aula, certo dia, quando cheguei em casa, minha mãe trocou o nosso rotineiro jantar por creme de morangos. Eu amei, afinal, que menina de 8 anos não amaria? Na manhã seguinte senti falta de meu gato, o nome dele era Leite. Eu chorei bastante, não fui para a aula e aproximadamente dois dias depois, achei o corpinho dele no quintal de minha casa - então, muito mais choro.
Eu não era uma criança chorona, mas, sempre que via algo errado com animais, me desatava a chorar.
No ano seguinte eu estava com minha mãe em uma calçada no centro da cidade e acabei vendo um caminhão atropelar um cachorro, ele era porte médio e tinha cor de mel. Creio que ele era de raça e devia ter fugido da casa de algum dos "granfinos" que moram na parte nobre da cidade. Eu lembro que minha mãe me abraçou e eu chorei. Chorei muito. Insisti que fossemos atrás do dono do cachorro, no entanto, obvio que minha mãe não concordou, afinal, seria como procurar uma agulho no celeiro. Apenas convenci ela a tirar o corpo do cachorro do meio da pista. Quando chegamos em casa, ela fez creme de morangos.
Eu tive um cachorro durante 7 anos, o nome dele era Lucky, porque ele trouxe a sorte consigo quando veio morar na minha humilde residência. Certa noite, quando eu tinha 14 anos e assistia novelas teens, ouvi minha mãe chorar muito, fui ver o que era e nosso cachorro estava morrendo em seus braços, lembro-me dela gritar comigo, me mandar sair. Eu obedeci. Fui dormir mais cedo nesta noite e ouvi minha mãe cozinhando, senti o cheiro e era creme de morangos.
Durante minha infância e adolescência detestei tudo que derivasse de morango. Isso chegou ate a me fazer criar repulsa pela cor rosa.
Em uma certa páscoa, ganhei um ovo da páscoa da Barbie de meu pai e adivinhem o sabor dele? Era de morangos. Eu não o culpo pela gafe, afinal, ela não me conhece.
Os anos se passaram e eu continuo não gostando de morangos ou da cor rosa, continuo chorando quando vejo algo errado com animais. Mas, algo mudou.
Quando eu era criança e sempre que acontecia algo errado minha mãe fazia creme de morango. Eu sempre associei os morangos a coisas ruins, mas, só depois de grande percebi que na verdade, as coisas aconteciam porque tinham que acontecer e, minha mãe, para suprir minha dor, fazia doce da sua fruta preferida, os morangos.
Hoje em dia, eu também faço creme de morangos.
Eu estudava num colégio de freiras e saía bem tarde da aula, certo dia, quando cheguei em casa, minha mãe trocou o nosso rotineiro jantar por creme de morangos. Eu amei, afinal, que menina de 8 anos não amaria? Na manhã seguinte senti falta de meu gato, o nome dele era Leite. Eu chorei bastante, não fui para a aula e aproximadamente dois dias depois, achei o corpinho dele no quintal de minha casa - então, muito mais choro.
Eu não era uma criança chorona, mas, sempre que via algo errado com animais, me desatava a chorar.
No ano seguinte eu estava com minha mãe em uma calçada no centro da cidade e acabei vendo um caminhão atropelar um cachorro, ele era porte médio e tinha cor de mel. Creio que ele era de raça e devia ter fugido da casa de algum dos "granfinos" que moram na parte nobre da cidade. Eu lembro que minha mãe me abraçou e eu chorei. Chorei muito. Insisti que fossemos atrás do dono do cachorro, no entanto, obvio que minha mãe não concordou, afinal, seria como procurar uma agulho no celeiro. Apenas convenci ela a tirar o corpo do cachorro do meio da pista. Quando chegamos em casa, ela fez creme de morangos.
Eu tive um cachorro durante 7 anos, o nome dele era Lucky, porque ele trouxe a sorte consigo quando veio morar na minha humilde residência. Certa noite, quando eu tinha 14 anos e assistia novelas teens, ouvi minha mãe chorar muito, fui ver o que era e nosso cachorro estava morrendo em seus braços, lembro-me dela gritar comigo, me mandar sair. Eu obedeci. Fui dormir mais cedo nesta noite e ouvi minha mãe cozinhando, senti o cheiro e era creme de morangos.
Durante minha infância e adolescência detestei tudo que derivasse de morango. Isso chegou ate a me fazer criar repulsa pela cor rosa.
Em uma certa páscoa, ganhei um ovo da páscoa da Barbie de meu pai e adivinhem o sabor dele? Era de morangos. Eu não o culpo pela gafe, afinal, ela não me conhece.
Os anos se passaram e eu continuo não gostando de morangos ou da cor rosa, continuo chorando quando vejo algo errado com animais. Mas, algo mudou.
Quando eu era criança e sempre que acontecia algo errado minha mãe fazia creme de morango. Eu sempre associei os morangos a coisas ruins, mas, só depois de grande percebi que na verdade, as coisas aconteciam porque tinham que acontecer e, minha mãe, para suprir minha dor, fazia doce da sua fruta preferida, os morangos.
Hoje em dia, eu também faço creme de morangos.
sábado, 7 de maio de 2016
Caminho.
A
primeira vez em que meu coração foi partido fazia frio, o vento estava úmido,
meus pulmões transbordavam de um ar doce, gelado e poluído. Eu lembro como se
fosse ontem – talvez tenha sido ontem – eu andava, andava e andava, mesmo
assim, ele sempre me alcançava. Me alcançava e partia meu coração pela primeira
vez novamente. Que dor.
Eu
sentia o ar nos meus pulmões, era tão gelado e doce. Sentia o vento gelado no
meu rosto, também. Fazia frio.
A
rua estava molhada. Eu olhava para nossos pés enquanto caminhávamos, como eu
amava os sapatos marrons dele. Olhava, também, para minhas mãos, minhas unhas
estavam pintadas de azuis e minhas mãos balançavam ao lado do meu corpo.
Continuávamos
caminhando, ele sempre um passo à frente, eu tentava o alcançar. Sempre
tentava. Só tentava. Eu nunca conseguia.
Seus
sapatos estavam molhados e ele andava de pressa. O vento balançava os cabelos
dele. Que lindos cabelos castanhos. Em pensar que não os veria mais – não desse
jeito. Não tocaria mais neles, outra pessoa os acariciaria. Que dor.
Continuamos
andando, ele um passo frente. Dois passos à frente. Três passos. Quatro passos.
Cinco. Tantos passos à frente. Eu não consigo mais o alcançar. Ele foi embora.
Eu
parei de caminhar, mas ainda sentia o vento frio e o ar gelado entrar nos meus
pulmões. Agora meu rosto também estava molhado. Ele foi embora. Eu fiquei. Eu
sempre fico.
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