sábado, 27 de setembro de 2014

Sobre o final.

Enfim chegou ao fim. Não aquele fim sofrido, de choros e angustias, mas, o fim esperado. Não, não é o fim de contos de fadas também, que o príncipe já salvou a princesa, eles casam-se e vivem belamente num castelo e a famosa frase “happy end after” aparece no canto direito da tela e em questões de segundos torna-se a imagem por completo. Chegou o fim da realidade.
Para início de tudo, eles não são da realeza, ela não é princesa e ele muito menos príncipe. Mesmo eles não sendo isto, ele a salvou. Não foi o salvamento de contos de fada novamente, foi aquele salvamento de alma. Aquele salvamento que só o amor causa.
Bem, pode até não ser amor, mas, ele a faz achar isso – achar, com eles nada era certeza, nunca.
Como ele a fez sentir isso? Com todas as incertezas e desafios que ele a demonstrava e a obrigava a passar. Sim, obrigava. Ele era uma montanha russa de sentimentos e ações. Ela tinha que se adaptar, a ele e ao seu humor inconstante, aos seus desapegos rotineiros.
 Era ela, sempre foi, talvez por isso tudo tenha sido tão difícil.
Eles eram diferentes e parecidos. Ela amarelo e ele tão cinza. As semelhanças? Eles gostam da tarde, gostam de rir, gostam de brincar.
Ela, por nunca ter sido uma princesa, fazia o papel do príncipe – apesar de não ser da realeza.  Como havia falado, era ela, ela, ela, ela, apenas ela, ela que se importava. Era ela, por causa dela tudo começou, e por causa dela também, tudo acabou.
 Tudo, que tudo? Para ele, não havia nada, e o nada dele era o tudo dela.
Numa bela sexta ela acordou e percebeu “sou eu”, é, doeu perceber – vocês nem imaginam o quanto doeu nela. Mas, ela percebeu e decidiu: “não quero ser só eu, quero ser nós”. Ela sabia, sabia que eles jamais poderiam ser “nós” e decidiu ser apenas ela. Ela livre, como sempre foi.
E ele? Ah, para ele, aquilo tudo não era “algo a mais” era tudo de menos, ou então só era algo simples e passageiro.
Sobre eles? Eles não existe mais, nunca existiu na verdade. Como nos finais “normais” cada um seguiu seu caminho. O incrível é que ela sabe, seus caminhos sempre vão se cruzar. Ela espera que se cruzem pelo menos.

sábado, 20 de setembro de 2014

Era pra ser.


Eles eram feitos um para o outro, isso todos viam, menos os dois.
 Ela era alma e ele coração. Ela força e ele refém. Ela coragem e ele, ele temia... Temia perde-la, temia que ela fugisse. E assim viveram, por muito tempo viveram. Creio eu, que lá no fundo eles sabiam onde iriam acabar. E acabaram.
Como um ima atraído pelo polo norte, eles se aproximavam cada vez mais.
 Ele queria ser como ela, e ela, queria ter a sensibilidade e bondade dele. No fundo, os papeis estavam invertidos. Ambos sabiam, porém, não se importavam.
Quando tudo aconteceu, ambos viram que seria, e eles queriam que fosse.
Juras de amor, frases sempre completas e nada de mistérios.
 Apesar dos pesares, ambos sabiam o que deveria ser, e eles eram.
Sobre ela, ele falava: “a mulher da minha vida”. Ele estava errado, ela ainda não era essa mulher que aparentava ser. Era uma menina, tão machucada e ferida, coberta por uma armadura, e ele não se dava conta.
Eles se amavam, mas infelizmente, o amor não sustenta tudo. E com eles, não foi diferente.
Numa segunda-feira ensolarada tudo ruiu, se despedaçou, e ela viu-se sem a sua armadura – ele havia rendido-a – e sem sol.  Foi tão rápido e lento.
 Ela, no entanto, era boa em ficar bem – aparentava ser, pelo menos – e ficou bem. Ele não.
Muito passou-se. Eles seguiam. Tinham novos amores, no entanto, acabavam um voltando seu pensamentos ao outro.
 Ficaram anos sem se ver. Porém, um continuava vivo no outro.
Foi difícil para os dois. Cada um sofreu de sua maneira. Contudo, ambos eram covardes demais para dar a cara a tapa mais uma vez, e pedir volta. Apesar do coração de ambos implorar por isto.
Ela soube que ele havia se mudado, para outro estado informaram-na.
 Ele soube que ela voltara de fato a amar um outro alguém.
 O coração de ambos doeu. Não havia mais nada a ser feito. Decidiram continuar a seguir.
Mais anos se passaram, e como dizem: “quando é para ser, é”. E foi.
Numa manhã com o sol coberto por uma intensa neblina, ela andava por uma praça, sem se dar conta, que talvez estivesse no mesmo lugar que seu antigo amor. De cabeça baixa, ela sentiu apenas mãos grandes tocando suas costas, e ouviu a aguardada voz doce. Ela olhou de encontro ao seu sol, e lá estava ele, o seu solzinho particular, com o sorriso mais torto existente.

Naquele momento, sem mais nenhuma palavra, ambos tiveram certeza, era pra ser. E foi.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Obrigada por desistir.


Desde que desististe da gente as coisas por aqui mudaram bastante.
Sabe, no início foi difícil, bem difícil mesmo.
            Foi complicado mudar rotinas e hábitos. Estava tão acostumada a amar a gente, que no fim, não sabia mais ser eu, ou me amar.
            Percebi que pela gente, havia perdido a mim mesma. Vi que tinha mudado tanto, que não me reconhecia mais naquelas roupas e maquiagens que você tanto adorava me ver usar – e eu admito, usava apenas para agrada-lo.
            Com isto, notei que você não amava o que eu sou, e sim, o que eu era por você.

            No fim das contas, obrigada por desistir, pois, depois disto, renasceu em mim o que há tanto havia se perdido. Percebi que não há como alguém me amar antes que eu me ame. 
           Obrigada por desistir da gente, e por ter feito-me tentar de novo comigo.

sábado, 6 de setembro de 2014

Estações.



Em noites quentes como está, eu tenho noção de o quanto minha cama é grande... Minha cama.
            Sabe, tudo agora é muito estranho. Estava tão acostumada a ser nosso, que quando uso uma palavra tão egoísta quanto está, sinto-me incompleta, e na realidade, estou.
            A quem quero enganar? Eu sei – e você também sabe – que seu lugar é, sempre foi, e sempre será aqui, na nossa cama. Nossa...
            Quando me deixaste, estava frio, e sendo sincera, eu não sentia tanta sua falta.
            O inverno, de certa forma, me aquecia. Ele ocupava minha alma com aquele calor superficial que os cobertores e agasalhos me proporcionavam.
 Nas noites frias, eu me envolvia num casulo artificial e passava a noite daquela forma, sem ter noção do quanto eu estava sozinha.
O inverno passou, saí do casulo e lá estava eu, na nossa cama – agora, apenas minha– sozinha e tendo dimensão do quão grande ela é, ou talvez, ela nem seja assim tão enorme, e sim, a solidão que em mim encontra-se seja...