Enfim
chegou ao fim. Não aquele fim sofrido, de choros e angustias, mas, o fim
esperado. Não, não é o fim de contos de fadas também, que o príncipe já salvou
a princesa, eles casam-se e vivem belamente num castelo e a famosa frase “happy
end after” aparece no canto direito da tela e em questões de segundos torna-se a
imagem por completo. Chegou o fim da realidade.
Para
início de tudo, eles não são da realeza, ela não é princesa e ele muito menos
príncipe. Mesmo eles não sendo isto, ele a salvou. Não foi o salvamento de
contos de fada novamente, foi aquele salvamento de alma. Aquele salvamento que
só o amor causa.
Bem,
pode até não ser amor, mas, ele a faz achar isso – achar, com eles nada era
certeza, nunca.
Como
ele a fez sentir isso? Com todas as incertezas e desafios que ele a demonstrava
e a obrigava a passar. Sim, obrigava. Ele era uma montanha russa de sentimentos
e ações. Ela tinha que se adaptar, a ele e ao seu humor inconstante, aos seus
desapegos rotineiros.
Era ela, sempre foi, talvez por isso tudo
tenha sido tão difícil.
Eles
eram diferentes e parecidos. Ela amarelo e ele tão cinza. As semelhanças? Eles
gostam da tarde, gostam de rir, gostam de brincar.
Ela,
por nunca ter sido uma princesa, fazia o papel do príncipe – apesar de não ser
da realeza. Como havia falado, era ela,
ela, ela, ela, apenas ela, ela que se importava. Era ela, por causa dela tudo
começou, e por causa dela também, tudo acabou.
Tudo, que tudo? Para ele, não havia nada, e o
nada dele era o tudo dela.
Numa
bela sexta ela acordou e percebeu “sou eu”, é, doeu perceber – vocês nem
imaginam o quanto doeu nela. Mas, ela percebeu e decidiu: “não quero ser só eu,
quero ser nós”. Ela sabia, sabia que eles jamais poderiam ser “nós” e decidiu
ser apenas ela. Ela livre, como sempre foi.
E
ele? Ah, para ele, aquilo tudo não era “algo a mais” era tudo de menos, ou
então só era algo simples e passageiro.
Sobre
eles? Eles não existe mais, nunca existiu na verdade. Como nos finais “normais”
cada um seguiu seu caminho. O incrível é que ela sabe, seus caminhos sempre vão
se cruzar. Ela espera que se cruzem pelo menos.

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