A
primeira vez em que meu coração foi partido fazia frio, o vento estava úmido,
meus pulmões transbordavam de um ar doce, gelado e poluído. Eu lembro como se
fosse ontem – talvez tenha sido ontem – eu andava, andava e andava, mesmo
assim, ele sempre me alcançava. Me alcançava e partia meu coração pela primeira
vez novamente. Que dor.
Eu
sentia o ar nos meus pulmões, era tão gelado e doce. Sentia o vento gelado no
meu rosto, também. Fazia frio.
A
rua estava molhada. Eu olhava para nossos pés enquanto caminhávamos, como eu
amava os sapatos marrons dele. Olhava, também, para minhas mãos, minhas unhas
estavam pintadas de azuis e minhas mãos balançavam ao lado do meu corpo.
Continuávamos
caminhando, ele sempre um passo à frente, eu tentava o alcançar. Sempre
tentava. Só tentava. Eu nunca conseguia.
Seus
sapatos estavam molhados e ele andava de pressa. O vento balançava os cabelos
dele. Que lindos cabelos castanhos. Em pensar que não os veria mais – não desse
jeito. Não tocaria mais neles, outra pessoa os acariciaria. Que dor.
Continuamos
andando, ele um passo frente. Dois passos à frente. Três passos. Quatro passos.
Cinco. Tantos passos à frente. Eu não consigo mais o alcançar. Ele foi embora.
Eu
parei de caminhar, mas ainda sentia o vento frio e o ar gelado entrar nos meus
pulmões. Agora meu rosto também estava molhado. Ele foi embora. Eu fiquei. Eu
sempre fico.