sábado, 7 de maio de 2016

Caminho.

A primeira vez em que meu coração foi partido fazia frio, o vento estava úmido, meus pulmões transbordavam de um ar doce, gelado e poluído. Eu lembro como se fosse ontem – talvez tenha sido ontem – eu andava, andava e andava, mesmo assim, ele sempre me alcançava. Me alcançava e partia meu coração pela primeira vez novamente. Que dor.
Eu sentia o ar nos meus pulmões, era tão gelado e doce. Sentia o vento gelado no meu rosto, também. Fazia frio.
A rua estava molhada. Eu olhava para nossos pés enquanto caminhávamos, como eu amava os sapatos marrons dele. Olhava, também, para minhas mãos, minhas unhas estavam pintadas de azuis e minhas mãos balançavam ao lado do meu corpo.
Continuávamos caminhando, ele sempre um passo à frente, eu tentava o alcançar. Sempre tentava. Só tentava. Eu nunca conseguia.
Seus sapatos estavam molhados e ele andava de pressa. O vento balançava os cabelos dele. Que lindos cabelos castanhos. Em pensar que não os veria mais – não desse jeito. Não tocaria mais neles, outra pessoa os acariciaria. Que dor.
Continuamos andando, ele um passo frente. Dois passos à frente. Três passos. Quatro passos. Cinco. Tantos passos à frente. Eu não consigo mais o alcançar. Ele foi embora.

Eu parei de caminhar, mas ainda sentia o vento frio e o ar gelado entrar nos meus pulmões. Agora meu rosto também estava molhado. Ele foi embora. Eu fiquei. Eu sempre fico.