Nunca
imaginei que seria tão difícil descobrir que lá no fundo eu não era tão feliz
assim. Ou talvez eu fosse, e agora, apenas, esteja conhecendo uma vida sem
passado e sem julgamentos.
De
qualquer forma, eu não quero deixar isto para trás.
Está
decidido, irei ligar para a companhia aérea e cancelar minha passagem. O
despertador toca de novo, alguém me chama.
- Vamos
meu bem, temos muito a fazer hoje.
Finalmente
abro os olhos e lá está ele, com meu sorriso preferido me encorajando a sair da
cama para a realidade. Sair da cama, de nossa cama.
- Eu
não quero ir embora – digo sem ao menos ter sido perguntada.
Ele
senta-se ao meu lado, acaricia meus cabelos bagunçados e diz calmamente.
- Eu
também não quero que você vá.
Mais
algumas frases foram trocadas e como as horas corriam, tive que finalmente
levantar. Depois do banho tomado, saímos para tomar o café da manhã na hora do
almoço, como era de costume, na nossa lanchonete favorita.
Pedimos
o de sempre - ele, um café e torradas com mel, eu, um achocolatado.
Um
clima tenso instalado entre ambos, não sabíamos o que falar, ou por aonde
começar. Decidi romper o silêncio.
- Como
se sente?
- Com o
quê, Sophi?
- Bem.
Com a minha volta para casa... Eu apenas falei que não quero ir, não te deixei
falar o que pensas.
Ele me
olha cuidadosamente, como se estivesse formulando uma frase dolorosa de ser
ouvida por mim.
- Sinto que este é o certo, sabe?
Aqui não é o seu lugar. Tens que voltar para a faculdade, emprego, amigos,
família... Não vou te pedir que fique, se é isto que queres.
“Que
safado” eu pensei. Ele sabia muito bem o que eu queria e com algumas palavras,
havia acabado com minhas esperanças. Resolvi apenas sorrir, o meu sorriso
sínico.
- Tudo bem, você está certo. Não
vou jogar tudo isso pelo ralo.
Mesmo
eu não pensando desta forma, resolvi apenas concordar. Talvez ele tenha razão.
-
Vamos? Teu vôo já vai sair.
- Tudo
bem.
Fomos
embora no seu volvo azul escuro, escutando nossas músicas preferidas; por sorte
o aeroporto fica ao outro lado da cidade, isto me deu mais tempo ao lado da
minha pessoa favorita. Depois de uma hora, ou um pouco mais, chegamos.
Faltava
pouco para meu embarque, despachamos rapidamente as bagagens – que deram
exatamente os 23k permitidos pela companhia aérea – e me encaminhei ao meu
portão de embarque. Havia chegado a hora
- Acho
que é isto Tob, preciso ir.
Nossos
olhos estavam cravados um no outro, digo que podia ver sua alma naqueles lindos
olhos negros. Nos abraçamos.
- Que
difícil são despedidas, hein minha menina?
-
Algumas mais que outras...
Sorrimos
e logo um beijo longo – porém, não o suficiente – e carinhoso foi trocado.
- Eu
preciso ir.
- Tudo
bem... E, eu te amo, Sophi.
Um
sorriso torto foi sua resposta, um leve aceno e entrei na sala de embarque.
Infelizmente
o avião demorou a decolar, tive tempo demais para pensar.
-
Passageiros do vôo JJ1923, podem embarcar.
Cinto
fechado, fones de ouvido colocados e meu refrigerante em mãos, estou pronta
para voltar.



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