sábado, 11 de julho de 2015

Analua

Talvez ela não se compare ao dia – com toda certeza não se compara. Ela se parece muito mais com a noite. Não uma noite em especial, mas a noite como um todo, junto com a lua e suas fases.
Ela é como a Lua Nova quando passa despercebida, quando ninguém a vê, mas ela está ali. Quando ela inicia um novo ciclo, quando está no primeiro passo do novo ciclo e não desiste, não cansa, continua, não olha para trás.
Ela é como a Quarta Crescente quando a lua fica ali durante toda a tarde, mesmo que escondida nas nuvens ela fica, permanece e segue por um período da noite. Ela fica, não desiste de ficar e chegar a noite, depois brilhar.
Ela é como a Lua Crescente quando está se adaptando, quando aparece na tarde após o pôr-do-sol e permanece no crepúsculo. Que o céu de alaranjado passa rápido a ser azul marinho com brilhos. Que acompanha essa mudança.
É como a Lua Crescente quando se acostuma a nova vida, a nova rotina, passa a ficar pouco tempo com a tarde e decide brilhar na noite.
E então, ela é como a Lua Cheia, toda cheia de si, de brilho, cujo ninguém consegue desviar o olhar. Por possuir mistérios e magia. Ela é Lua Cheia quando sorri, quando traga o cigarro e principalmente quando olha para o nada.
Ela é Lua Minguante quando o sol começa a sorrir de encontro ao sorriso dela, mas ela foge, vai embora logo. Ela é como quando a Lua foge do encontro com o amanhecer. Ela também é fuga.
Ela é como a Quadra Minguante quando começa a cansar, decide mudar. Começa a abandonar a noite e partir para a madrugada. Para ver o amanhecer. Ou talvez para me encontrar no meu céu de diamantes.
Ela é como a Lua Minguante quando cansa da realidade atual, quer viver o novo, ou apenas sumir. Não sumir por sumir, mas para começar tudo de novo. Tudo do zero. Por mais uma chance, uma tentativa. Para ser um novo ciclo.
Espero que ela tenha muitos ciclos que este seja apenas o vigésimo de tantos que estão por vir. Que a cada ciclo ela se encontre para se perder e depois se encontre para se perder novamente. Espero poder ver todos os ciclos dela. E todos os encontros e todas as perdições. Espero continuar sendo o amanhecer dela.










Para Gabi M., feliz vigésimo aniversário, minha querida

quinta-feira, 16 de abril de 2015

sobre poesia.

Minha cara.
Muitas pessoas possuem a visão de que para ser poesia precisa rimar, não importa qual a forma de rima, mas precisa rimar, ter sonoridade, e admito, eu fazia parte dessas “muitas pessoas”. Poesia não precisa necessariamente ter rima, nem falar de amor, ou de coisas belas, no entanto, precisa falar de sentimento, não importa qual ele seja, precisa possuir sentimento. Manoel de Barros diz que poesia é aquilo mijado, cuspido pela sociedade, e eu concordo, a poesia está muitas vezes nas coisas mais “deixadas de lado”, nas situações mais comuns do dia-a-dia, nas coisas nojentas e não apenas no amor ideal; no entanto, ela está também no amor, na felicidade, nos sonhos. Poesia está em todos os lugares. Estando em todos os lugares, poesia não é apenas o texto em si, poesia é o caminho e o resultado, desde a ideia ao texto. E não sendo “apenas” o texto (entre aspas, pois um texto nunca é um apenas), a poesia seria também tudo o que nos cerca, contudo, depende também do ponto de vista, como podemos observar no documentário sobre Manoel de Barros, que em um trecho mostra um rapaz, que infelizmente não me recordo o nome, que cria invenções jamais imaginadas pela sociedade com objetos descartados por tais, uma de suas invenções era o “esticador de horizonte”, imagine que lindo se pudéssemos de fato alongar os horizontes! E ele criou algo que nos proporciona isto. Ele viu no lixo da sociedade algo único. Poesia seria também o próprio horizonte, o mar, o céu, o azul infinito; seriam as flores, um copo de cerveja ou o miado de um gato, por que não também o barulho do trânsito? A poesia está em todos os lugares, até em nossos sonhos... E isto é fantástico.
Para encerrar esta carta, gostaria de lhe mostrar meus autores favoritos de poemas, e o meu poema favorito de cada um, eles são: Machado de Assis, meu poema favorito seu é A Carolina, Florbela Espanca, que seria As Quadras d’Ele IIe o GregorioDuvivier, que seria o Ao se deparar com a coisa mais bonita do mundo, que segue abaixo para a senhora conhecer, caso não conheça.
Ao se deparar com a coisa mais bonita do mundo:
1.      Certifique-se de ela existe.
2.      Observe-a minuciosamente. Pode ser que ela evapore.
3.      Ouça a coisa mais bonita do mundo.
4.      Deite a coisa mais bonita do mundo sobre a superfície mais confortável do mundo.
5.      Ame-a imensamente.

Atenciosamente,  R.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Aqueles olhos.

A calmaria que nunca tive, a simplicidade que sonho ter, a resposta das minhas perguntas. Talvez seja a certeza, minha única certeza. Tudo aquilo de bom que eu sonho ser, o que sonho ter.
Quando as coisas estão turbulentas aqueles lindos olhos transparentes estão lá, sempre estão lá no fim da noite.
Aquele olhar que me acalma.
Poderia passar horas aqui, falando sobre seus olhos. Falaria tudo aquilo que nunca disse, mas não agora, agora não é o momento.
Que falta você me faz, meu chapa, e que falta. Não tem ninguém mais para me acalmar. Eu sei, isso é egoísmo, você precisa brilhar por aí. Mas não dá, com toda certeza não tá dando.
Sei também que me vê azulejar com seu binóculo, no entanto, eu preferiria que você me visse aqui, de perto, como era, como sempre foi e sempre deveria ser.
Hoje eu tive mais uma briga daquelas, e que falta você me fez... Não teve nenhum olhar profundo e transparente me encarando, me fazendo cair na real e ter aquela vontade de largar toda essa merda, afinal, você sabe, meu lugar não é aqui.
Eu sei, eu sei, você é livre. Eu também costumava ser. Mas, você deveria ao menos aparecer, porque está muito difícil viver longe desses seus lindos olhos grandes.




                                                 Para P.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Mine.


Talvez Lily Allen estivesse certa em Who’d Have Known, pois algumas coisas deveriam apenas permanecer, sem ter mais porquês.
Infelizmente, as coisas fogem do nosso controle; as pessoas, as situações... Tudo deveria ser bem mais simples. Não deveriam?
Entretanto, as coisas mudaram... E como mudaram. De estado, inclusive. Região, pode se dizer. Estamos tão longe agora – em pensar que estivemos tão perto.
Nós seguimos, mas sempre tem aquela época do ano em que “voltamos um pro outro”, por saber que aquela época é a “nossa” época, a que nos liga.
- Você deveria estar aqui...
Eu disse na última ligação. Respondeu-me:
- Não chora, minha princesa.
Tarde demais.
Gostaria de saber tantas coisas. Do seu namoro, do seu trabalho e de como estava sendo morar de frente para o mar.
 A ligação caiu. Outra vez tarde demais.

 Eu ainda tenho tantas dúvidas. Mas, entre todas elas, a mais forte e se “are you mine?”, porque eu ainda penso em você o tempo todo.