domingo, 7 de dezembro de 2014

Rima.

“Então amor também acaba? Não sei. Mas sei que ele se transforma em matéria-prima. Vira raiva, ou rima.”
Ouvi isto algum dia, em algum lugar. Me perdoem se for de algum poeta ou romancista famoso, ou não famoso – eu realmente não recordo-me de quem seja – mas, está frase, ou poema – não sei – se encaixa tão perfeitamente em todas as situações. Vejamos.
Quando se ama alguém, e as coisas acabam como um verdadeiro desastre, todo aquele amor vira raiva. Você sente-se mal por ter doado tantos anos de sua vida a alguém que no fim das contas, deixou-te, sem importar-se com os planos ou os sonhos.
No entanto, há aqueles casos em que o termino é difícil, mas aceitável, apenas a incompatibilidade de genes torna-se superior ao tão famoso amor, aí sim, ele torna-se rima. Porém, eu não encaro como rima o fato de escreveres sobre aquilo, publicar um livro, ou apenas ter um blog com textos a respeito disto. Acredito que a rima, é deixar guardado em si as coisas boas do que se viveu, amadurecer com as ruins, aprender a superar e a permitir-se.

Sei que é muito difícil rimar depois de quebrar a cara, principalmente, quando depende-se de outra pessoa para que as rimas fiquem boas. Pois, as melhores músicas, os melhores poemas, tiveram parceria, então, que tal aproveitar essas velhas rimas para compor algo novo? Claro, sem as dores do antigo, apenas as lições. Usar as antigas rimas, como base para uma mais nova e bela rima.

domingo, 16 de novembro de 2014

Devaneio.

Não, a gente não existe mais... Então porque o “a gente” me mexe tanto? Talvez essa seja mais umas daquelas perguntas que lá no fundo eu sei muito bem a resposta, e como sei.
Hoje foi mais um daqueles dias que me peguei em um devaneio esperando que a minha vida em si fosse um devaneio, e a qualquer momento você chegaria com aquele sorriso que eu amo – sim, ainda amo – e diria: “minha pequena, aqui estou, está tudo bem!” Mas, era só um devaneio. 
Apesar dos devaneios diários, a cada dia tem muito mais fácil conviver com a dor, as vezes, chego até esquece-la por dias, porém, elas voltam. Sempre voltam.
 Hoje, como mais um dia, eu esqueci por algumas horas dela e me peguei vivendo por ai, cantando nossas músicas – aquelas que costumavam ser “nossas”. Cheguei a esquece-lo, talvez; como sempre, a vida dá um jeito de colocar-me em seus braços.
 Ele surgiu bem ali em minha frente, com aqueles cachos cor de mel, aqueles olhos vermelhos e a voz mais amarga do mundo. Bem ali, parado com o sorriso sínico que me fascina – sim, me fascina. Disse-me poucas palavras:
 - A gente pode conversar?
 “A gente”, sim, ele disse “a gente”. A mesma colocação que martelava-me a cabeça o dia inteiro. E o que fiz? Fugi, simplesmente fugi! Não, eu não consigo encara-lo, dói a alma, literalmente dói. Eu dei as costas a ele, sem repensar, apenas me virei e fui.
O que ele queria? Eu imagino o que seja; e não, eu não quero “isso” pra mim... Apesar do tal amor, eu não quero mais.
Amar por dois dá muito trabalho, um trabalho, que ao meu ver, deveria ser compartilhado, não solo.
Como eu fico após isso? Aquele velho sentimento de “era pra ser diferente” se instala. Mas não um diferente de hoje ou ontem, um diferente que não tem mais como mudar, não há como cicatrizar tantas feridas, como desculpar tantos erros, como relevar tantas dores, não há como... Infelizmente não há.
 Então eu só sigo, esperando e vivendo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

De costume.

            Depois de nossa última briga, vim para casa como de costume, decida a fazer todas as coisas, como de costume, no lugar de costume, e como de costume, após estar decidida a partir, você viria e diria as mesmas frases do estilo “tudo vai mudar, meu doce” e eu aceitaria sua promessa e tudo ficaria bem, como de costume.
            Cheguei em minha casa, o lugar de costume, fui a cozinha e bebi água. Estava gelada, desceu rasgando minha garganta – aquilo tudo estava tão difícil de engolir. Fechei os olhos e esperei as lágrimas, elas não vieram.
 Decidi seguir com os costumes e tomar banho.
Caminhei até meu quarto, sentei na cama, tirei meu tênis, as calças, desabotoei a blusa cor de rosa, que você havia me dado no nosso último aniversário; fechei os olhos e mais uma vez, nada das lagrimas.
Cheguei ao banheiro, liguei a ducha, tirei minha calcinha e desabotoei o sutiã, entrei no box, senti a água percorrer meu corpo. Todo este processo já era conhecido por mim, e mais uma vez, as lagrimas não vieram, como era de costume.
Saí do box, de corpo e alma lavados, olhei-me no espelho e vi as olheiras profundas ressaltadas pelos meus olhos verdes claros. Nós dois sabíamos muito bem a causa daqueles roxos.
Voltei para o quarto, vesti meu short azul escuro e meu moletom. Retornei a cozinha e vi nossa foto no caminho. Abri a geladeira e o telefone toca, é o porteiro:
- Dona Lis, Seu Iago deseja falar com a sonhara. Ele pode subir?
Sim, o de costume, agora viriam as desculpas.
- Pode sim. Boa noite.
Três minutos e a campainha toca. Abro a porta e lá está você, sim, como de costume.
Você entra e começa a fazer o que faz sempre. Como de costume, as mesmas frases, o mesmo sorriso, o mesmo olhar... Você acaba o discurso, faz a mesma pergunta, a de costume, então chega a minha deixa:
- Não, Iago.
Os costumes mudaram.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Permanência.

Com tantas idas e vindas, finalmente decidimos ficar. Aparentemente, o sossego que tanto desejei havia chegado. Estávamos ali, dois que agora eram um. 
Infelizmente o manter-se um é muito mais difícil que tornar-se um.
Com o dia-a-dia e a calmaria, digo que nos conhecemos verdadeiramente, talvez, ou melhor, com toda certeza, a calmaria tem sido pior do que toda a turbulência que passamos juntos.
A rotina tem me pegado desprevenida, e a certeza que estará ali no fim do dia, com as mesmas reclamações e o mesmo assunto nunca acabado, tem me feito pensar se é ou não realmente bom voltar pra casa. Que droga, hein?
A convivência tornou-se complicada, muito mais pelas semelhanças do que pelas divergências. Semelhanças digo pelo aspecto de sermos tão cabeças duras e não sabermos “dar o braço a torcer”. Nesse aspecto somos tão parecidos. Nesse.
E com todas nossas idas e vindas, nunca imaginei que depois de ficar, o que eu mais conseguiria desejar era ir... Ir, apenas ir, como sempre foi, pois tem sido muito difícil ter para onde voltar.
  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ah! O amor!




Fico besta como alguém pode amar e desamar tantas pessoas, em tão pouco tempo... Pra mim, amor sempre foi algo além.
O amor não acontece de uma hora para outra. Tu não acordas num belo dia e já ama a pessoa. Tu constróis, na verdade tu não, vocês. Porque amor não depende de uma pessoa, e sim, de duas, que depois de amar, se tornam uma.
Amor também não acaba de uma hora para outra, ele vai se desgastando, até chegar ao ponto de tu olhares para a outra pessoa e se perguntar: “Como pode chegar a isto?“ E ai é o fim... O fim no sentido do amor homem e mulher, pois, quem ama de verdade nunca deixa todo e completo sentimento acabar, sempre fica aquele “querer bem” no peito. E apenas quando fica esse sentimento, pode se ter certeza que de fato era ou é amor.


sábado, 27 de setembro de 2014

Sobre o final.

Enfim chegou ao fim. Não aquele fim sofrido, de choros e angustias, mas, o fim esperado. Não, não é o fim de contos de fadas também, que o príncipe já salvou a princesa, eles casam-se e vivem belamente num castelo e a famosa frase “happy end after” aparece no canto direito da tela e em questões de segundos torna-se a imagem por completo. Chegou o fim da realidade.
Para início de tudo, eles não são da realeza, ela não é princesa e ele muito menos príncipe. Mesmo eles não sendo isto, ele a salvou. Não foi o salvamento de contos de fada novamente, foi aquele salvamento de alma. Aquele salvamento que só o amor causa.
Bem, pode até não ser amor, mas, ele a faz achar isso – achar, com eles nada era certeza, nunca.
Como ele a fez sentir isso? Com todas as incertezas e desafios que ele a demonstrava e a obrigava a passar. Sim, obrigava. Ele era uma montanha russa de sentimentos e ações. Ela tinha que se adaptar, a ele e ao seu humor inconstante, aos seus desapegos rotineiros.
 Era ela, sempre foi, talvez por isso tudo tenha sido tão difícil.
Eles eram diferentes e parecidos. Ela amarelo e ele tão cinza. As semelhanças? Eles gostam da tarde, gostam de rir, gostam de brincar.
Ela, por nunca ter sido uma princesa, fazia o papel do príncipe – apesar de não ser da realeza.  Como havia falado, era ela, ela, ela, ela, apenas ela, ela que se importava. Era ela, por causa dela tudo começou, e por causa dela também, tudo acabou.
 Tudo, que tudo? Para ele, não havia nada, e o nada dele era o tudo dela.
Numa bela sexta ela acordou e percebeu “sou eu”, é, doeu perceber – vocês nem imaginam o quanto doeu nela. Mas, ela percebeu e decidiu: “não quero ser só eu, quero ser nós”. Ela sabia, sabia que eles jamais poderiam ser “nós” e decidiu ser apenas ela. Ela livre, como sempre foi.
E ele? Ah, para ele, aquilo tudo não era “algo a mais” era tudo de menos, ou então só era algo simples e passageiro.
Sobre eles? Eles não existe mais, nunca existiu na verdade. Como nos finais “normais” cada um seguiu seu caminho. O incrível é que ela sabe, seus caminhos sempre vão se cruzar. Ela espera que se cruzem pelo menos.

sábado, 20 de setembro de 2014

Era pra ser.


Eles eram feitos um para o outro, isso todos viam, menos os dois.
 Ela era alma e ele coração. Ela força e ele refém. Ela coragem e ele, ele temia... Temia perde-la, temia que ela fugisse. E assim viveram, por muito tempo viveram. Creio eu, que lá no fundo eles sabiam onde iriam acabar. E acabaram.
Como um ima atraído pelo polo norte, eles se aproximavam cada vez mais.
 Ele queria ser como ela, e ela, queria ter a sensibilidade e bondade dele. No fundo, os papeis estavam invertidos. Ambos sabiam, porém, não se importavam.
Quando tudo aconteceu, ambos viram que seria, e eles queriam que fosse.
Juras de amor, frases sempre completas e nada de mistérios.
 Apesar dos pesares, ambos sabiam o que deveria ser, e eles eram.
Sobre ela, ele falava: “a mulher da minha vida”. Ele estava errado, ela ainda não era essa mulher que aparentava ser. Era uma menina, tão machucada e ferida, coberta por uma armadura, e ele não se dava conta.
Eles se amavam, mas infelizmente, o amor não sustenta tudo. E com eles, não foi diferente.
Numa segunda-feira ensolarada tudo ruiu, se despedaçou, e ela viu-se sem a sua armadura – ele havia rendido-a – e sem sol.  Foi tão rápido e lento.
 Ela, no entanto, era boa em ficar bem – aparentava ser, pelo menos – e ficou bem. Ele não.
Muito passou-se. Eles seguiam. Tinham novos amores, no entanto, acabavam um voltando seu pensamentos ao outro.
 Ficaram anos sem se ver. Porém, um continuava vivo no outro.
Foi difícil para os dois. Cada um sofreu de sua maneira. Contudo, ambos eram covardes demais para dar a cara a tapa mais uma vez, e pedir volta. Apesar do coração de ambos implorar por isto.
Ela soube que ele havia se mudado, para outro estado informaram-na.
 Ele soube que ela voltara de fato a amar um outro alguém.
 O coração de ambos doeu. Não havia mais nada a ser feito. Decidiram continuar a seguir.
Mais anos se passaram, e como dizem: “quando é para ser, é”. E foi.
Numa manhã com o sol coberto por uma intensa neblina, ela andava por uma praça, sem se dar conta, que talvez estivesse no mesmo lugar que seu antigo amor. De cabeça baixa, ela sentiu apenas mãos grandes tocando suas costas, e ouviu a aguardada voz doce. Ela olhou de encontro ao seu sol, e lá estava ele, o seu solzinho particular, com o sorriso mais torto existente.

Naquele momento, sem mais nenhuma palavra, ambos tiveram certeza, era pra ser. E foi.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Obrigada por desistir.


Desde que desististe da gente as coisas por aqui mudaram bastante.
Sabe, no início foi difícil, bem difícil mesmo.
            Foi complicado mudar rotinas e hábitos. Estava tão acostumada a amar a gente, que no fim, não sabia mais ser eu, ou me amar.
            Percebi que pela gente, havia perdido a mim mesma. Vi que tinha mudado tanto, que não me reconhecia mais naquelas roupas e maquiagens que você tanto adorava me ver usar – e eu admito, usava apenas para agrada-lo.
            Com isto, notei que você não amava o que eu sou, e sim, o que eu era por você.

            No fim das contas, obrigada por desistir, pois, depois disto, renasceu em mim o que há tanto havia se perdido. Percebi que não há como alguém me amar antes que eu me ame. 
           Obrigada por desistir da gente, e por ter feito-me tentar de novo comigo.

sábado, 6 de setembro de 2014

Estações.



Em noites quentes como está, eu tenho noção de o quanto minha cama é grande... Minha cama.
            Sabe, tudo agora é muito estranho. Estava tão acostumada a ser nosso, que quando uso uma palavra tão egoísta quanto está, sinto-me incompleta, e na realidade, estou.
            A quem quero enganar? Eu sei – e você também sabe – que seu lugar é, sempre foi, e sempre será aqui, na nossa cama. Nossa...
            Quando me deixaste, estava frio, e sendo sincera, eu não sentia tanta sua falta.
            O inverno, de certa forma, me aquecia. Ele ocupava minha alma com aquele calor superficial que os cobertores e agasalhos me proporcionavam.
 Nas noites frias, eu me envolvia num casulo artificial e passava a noite daquela forma, sem ter noção do quanto eu estava sozinha.
O inverno passou, saí do casulo e lá estava eu, na nossa cama – agora, apenas minha– sozinha e tendo dimensão do quão grande ela é, ou talvez, ela nem seja assim tão enorme, e sim, a solidão que em mim encontra-se seja...


                

sábado, 30 de agosto de 2014

10:10

                
São 10:10 da manhã, o despertador toca e eu não quero voltar para casa. Em algumas horas meu vôo sai e deixarei minha realidade paralela amada para trás. Eu não quero deixa-la.
                Nunca imaginei que seria tão difícil descobrir que lá no fundo eu não era tão feliz assim. Ou talvez eu fosse, e agora, apenas, esteja conhecendo uma vida sem passado e sem julgamentos.
                De qualquer forma, eu não quero deixar isto para trás.
                Está decidido, irei ligar para a companhia aérea e cancelar minha passagem. O despertador toca de novo, alguém me chama.
                - Vamos meu bem, temos muito a fazer hoje.
                Finalmente abro os olhos e lá está ele, com meu sorriso preferido me encorajando a sair da cama para a realidade. Sair da cama, de nossa cama.
                - Eu não quero ir embora – digo sem ao menos ter sido perguntada.
                Ele senta-se ao meu lado, acaricia meus cabelos bagunçados e diz calmamente.
                - Eu também não quero que você vá.
                Mais algumas frases foram trocadas e como as horas corriam, tive que finalmente levantar. Depois do banho tomado, saímos para tomar o café da manhã na hora do almoço, como era de costume, na nossa lanchonete favorita.
                Pedimos o de sempre - ele, um café e torradas com mel, eu, um achocolatado.
                Um clima tenso instalado entre ambos, não sabíamos o que falar, ou por aonde começar. Decidi romper o silêncio.
                - Como se sente?
                - Com o quê, Sophi?
                - Bem. Com a minha volta para casa... Eu apenas falei que não quero ir, não te deixei falar o que pensas.
                Ele me olha cuidadosamente, como se estivesse formulando uma frase dolorosa de ser ouvida por mim.
                - Sinto que este é o certo, sabe? Aqui não é o seu lugar. Tens que voltar para a faculdade, emprego, amigos, família... Não vou te pedir que fique, se é isto que queres.
                “Que safado” eu pensei. Ele sabia muito bem o que eu queria e com algumas palavras, havia acabado com minhas esperanças. Resolvi apenas sorrir, o meu sorriso sínico.
                - Tudo bem, você está certo. Não vou jogar tudo isso pelo ralo.
                Mesmo eu não pensando desta forma, resolvi apenas concordar. Talvez ele tenha razão.
                - Vamos? Teu vôo já vai sair.
                - Tudo bem.
                Fomos embora no seu volvo azul escuro, escutando nossas músicas preferidas; por sorte o aeroporto fica ao outro lado da cidade, isto me deu mais tempo ao lado da minha pessoa favorita. Depois de uma hora, ou um pouco mais, chegamos.
                Faltava pouco para meu embarque, despachamos rapidamente as bagagens – que deram exatamente os 23k permitidos pela companhia aérea – e me encaminhei ao meu portão de embarque. Havia chegado a hora
                - Acho que é isto Tob, preciso ir.
                Nossos olhos estavam cravados um no outro, digo que podia ver sua alma naqueles lindos olhos negros. Nos abraçamos.
                - Que difícil são despedidas, hein minha menina?
                - Algumas mais que outras...
                Sorrimos e logo um beijo longo – porém, não o suficiente – e carinhoso foi trocado.
                - Eu preciso ir.
                - Tudo bem... E, eu te amo, Sophi.
                Um sorriso torto foi sua resposta, um leve aceno e entrei na sala de embarque.
                Infelizmente o avião demorou a decolar, tive tempo demais para pensar.
                - Passageiros do vôo JJ1923, podem embarcar.
                Cinto fechado, fones de ouvido colocados e meu refrigerante em mãos, estou pronta para voltar.

sábado, 23 de agosto de 2014

Luíz.

Nunca fui boa em compreender tantas partidas e chegadas, sempre fui a favor da permanência. Também nunca fui boa em lidar com despedidas – eu sempre fugi delas. Mas, de alguma forma, sentia-me obrigada em dizer-lhe adeus todas as vezes que quis ir embora. Não ir “a diante”, ele apenas ia.
Ao que aparentava, ele tinha um grande problema em permanecer.
E foi assim, sempre foi. Ele sempre ia, e eu, ficava a espera de seu regresso.
A primeira vez não lembro ao certo como ocorreu. Ele não despediu-se. Apenas sei que desde então tenho medo do silencio, pois ele se foi, e tudo ficou muito calmo.
O seu primeiro retorno foi o mais demorado – 7 anos foram os dias de minha espera. Dias chegaram ao fim.
Sua segunda partida foi a mais dolorosa, foi no meu dia favorito do ano – ele não se importou com isso. Dessa vez ele despediu-se, disse-me: “fique bem, você é boa nisso”. Graças a ele, sou boa nisso.
 Seu segundo retorno foi também o mais comemorado. Ele veio e trouxe-me um presente, o melhor que eu poderia ganhar, diga-se inclusive. Além de ter sido o mais comemorado, foi o mais breve. E ele se foi, levando meu presente.
Então chegou a vez de seu terceiro retorno. Me senti esperançosa dessa vez – o número 3 sempre foi meu número da sorte – pensei que desta vez, talvez, o número me trouxesse sorte e ele não partisse partindo meu coração novamente. Infelizmente, nem meu número da sorte me trouxe sorte. Ele se foi, deixando comigo apenas um disco de Beatles – o mesmo que ouço enquanto escrevo essas linhas tão pessoais.
E então, eu vivi.
Infelizmente lembrava dele em todos domingos e sextas-feiras. Lembrava quando ouviu “Dont let me donw” – essa sempre foi a lembranças mais dolorosa, inclusive.
 Seu retorno chegou, de dias foi a partida mais curta, entre a sua ida e volta, mas dentro de mim, foi a mais demorada – ao contrário da primeira que de fato foi a mais longa, eu nem vi os anos passarem.
Ele voltou com aquele ar de “sempre estive aqui”, porém ele não estava. Regressou com o mesmo sorriso sínico e o mesmo uísque que me agradava. Ele sempre soube me conquistar. Pediu-me desculpas e disse que não faria mais isso. Pediu também que ficasse – acho que ele sentia que dessa vez, talvez, eu que partisse. Ele foi mais rápido que eu.
Era natal, ele dirigia o seu carro preto e falava-me que em breve ensinar-me-ia dirigi-lo. Falamos também de sorvete de creme, dos planos para o ano novo e de como janeiro seria agradável se fossemos a praia.
O carro foi estacionado na frente da casa ao lado da minha, nos abraçamos e eu disse: “até logo”. Desci do carro e ele foi, como se um dia fosse retornar, mas ele não retornou.
Dois anos passaram-se até o dia em que meu telefone tocou, era ele... Sendo sincera, eu esperava ansiosamente pelo seu retorno. O grande dia havia chegado, graças!
 Telefone continuava a tocar em minha minha mão e eu olhava para o número que havia aprendido de cor a tantos anos atrás, sem ter coragem de atender. E não atendi.
No fundo, ele tinha razão quando pediu-me para ficar. Ele via em meus olhos que eu estava esgotada de tantas partidas e tantas chegadas. Estava nos últimos suspiros de minhas forças para continuar aceitando seu jeito tão livre de ser – no fundo, aquele era o último suspiro. Eu recusei.
Não recusei simplesmente a ligação que o traria de volta para a minha vida, recusei-o dela, de minha vida.
Como disse, nunca entendi a lógica de ir e vir – eu sempre fui boa em ficar. Lá no fundo, eu queria apenas que ele fosse bom em ficar também, entretanto, ele não era.
Desde então eu segui. Segui sem ele, mas com o nosso velho CD de Beatles e com aquela vontade de sempre de sua permanência, que provavelmente, nunca vá acontecer.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O - não tão - esperado.

                
Quando você menos espera, o que se tanto espera – ou em alguns casos, menos espera-se – acontece.
 Não era para ambos estarem naquele jantar na noite fria de 22 de julho. Coincidência ou não, estavam.
                Ela chegou depois dele. Ele de imediato notou sua presença. Ela sentou-se à frente dele e em seguida sorrisos foram trocados.
                Com o passar das horas, a conversa estabeleceu-se. Ela sorrindo sem maldade e ele, querendo conhecer as loucuras existentes nela.
                Falaram sobre livros, música e política.
                Sobre ela, ele pensou: “Que mulher incrível”. E sobre ele, ela comentou: “ Interessante, até. ”
                Mais horas foram passadas, e as afinidades foram se encontrando. Ambos esquerdistas e fãs do Modernismo. Ela sorria e falava sem parar. Ele, escutava-a e fazia comentários pausados a cada bebericada que ela dava no copo de conhaque.
                Sem parar por um instante da noite de manter contato visual, as horas de conversa, pareceram segundos, e já pelas tantas da madrugada, ela decidiu ir.
 Ele, ofereceu a ela carona, ela relutou em aceitar, mas aceitou.
O caminho parecera curto comparado a ida. Em alguns minutos chegaram ao destino.
Ela saltou do carro e cambaleou – não por ter bebido demais, mas, por ser desastrada – ele segurou-a prontamente.
 Sorrindo sem jeito, ela aproveitou a proximidade para dar a ele um abraço de despedida. Um longo silencio foi estabelecido e um beijo trocado com os olhos logo em seguida.
De forma cuidadosa, ele pediu a ela seu telefone. Ela sorrindo, com os olhos e lábios, deu entre risos suaves seu número.
Um outro olhar profundo trocado e ela entrou em sua casa, sem acreditar no ocorrido.
Alguns minutos passaram-se até seu celular tocar. É uma mensagem. Sim dele. Nela dizia: “Nos vemos em breve, querida“. E eles se viram, muitas e muitas outras vezes. Isso foi apenas o início.

                               

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre o happy end after.

Os finais nem sempre são felizes, meus caros. Por mais que esperemos pelo final dos contos de fadas, sinto muito em lhes informar que eles nem sempre acontecem.
Na grande maioria das vezes, a doce menina-mulher espera o príncipe encantado vir salva-la no seu cavalo branco – ou no carro do ano – em busca do seu happy end after. Mas, não ocorre a ela que seu príncipe, na verdade, não queria um final feliz, e sim, apenas ser feliz naquele exato momento.
E o belo príncipe encantado, que busca bravamente a sua princesa frágil e delicada, se entristece quando na verdade encontra uma mulher forte e decidida, que já derrotou seus próprios dragões e não sonha em construir um lar, doce lar, pois ela já possui o seu.
 Agora, pense comigo, se seu príncipe ou princesa chegar, e ele/ela não for o imaginado, o que custa mudar o sonho pela realidade? Ok, ok. Eu sei, todos sonham com o final feliz, mas, quem disse que para ser feliz o fim tem que ser igual ao da Cinderela?
Ou quem sabe, ele/ela possa até chegar, porém, no fim das contas, resolva partir. Pelo o que lembro-me, não existe nenhuma história de princesa separada ou príncipe divorciado.
Pois bem, que tal deixar esse papo de final feliz para a Disney e apenas ser feliz. Sem esperar príncipe, princesa ou coisas do gênero. Afinal, você não é burra o suficiente para comer uma maçã envenenada ou corajoso o bastante para beijar uma mulher que dorme a séculos – não deve haver colgate que dure tanto tempo. 
Tente ser feliz, com o que a nossa dura e doce realidade nos proporciona.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Olhos de Capitu.

Sobre ele? Ele simplesmente é a melhor e a pior pessoa.
 Ele é todas aquelas coisas clichês que dizem para o seu amor, mas não, ele não é o meu, talvez seja o amor, mas meu, definitivamente não é.
Ele me surgiu do nada, quando eu menos esperava ou queria, de uma forma inusitada. Num “jogo” na verdade – é, eu disse que era, ou ainda é clichê. Surgiu como alguém que diz “bom dia” e se alojou em meu peito. Como alguém não, ele surgiu com um lindo “bom dia” e aqueles olhos ressacados, olhos que me causam grande curiosidade.
 Sinto-o como minha Capitu, sei que não parece haver lógica, mas pense, aqueles olhos, só podem ser de Capitu.
Quem ele é? O meu santo. Santo por ter me livrado de todo aquele mal, sem ao menos notar que estava fazendo isso. Santo pela sua voz e pelo seu grande talento em trazer-me paz. Mas veja, de santo ele não tem nada! Ele bebe, ele xinga, e até me chama para “curtir uma brisa”. Porém ele me faz bem, um bem enorme, e todos ao redor notam. E isso me aborrece.
Sinto que só de ouvir aquela risada sínica, a vida melhora. Que com ele posso ser eu. Sinto-me livre e presa ao mesmo tempo. Como pode ser isso? Eu também queria saber.
Talvez ele sinta-se assim também, talvez não.
 O que ele já me disse? Que sou madura. Aparentemente, todos emitem o mesmo sobre mim, então não me surpreendeu. Que ele diz que choca-me é que simplesmente eu sou “muito”, este “muito” que intriga-me. Não gosto de ser muito. Queria apenas ser na medida – na medida para ele.
Ele me ganha sem se quer tentar.
 Talvez isso não seja algo a mais. Talvez seja apenas o seu jeito de ser. Talvez ele seja assim com todas e eu seja só mais uma que aparentemente é muito ou mais do que devia – o que pode ser outra definição do muito.
Ele é uma incógnita, a minha incógnita com olhos de Capitu. Mas não os olhos dissimulados, os de ressaca. Ele é ele, aquele que não é bom ou mal, ele só é, só é ele, aquele que fez-me apaixonar. Eu que a tanto tempo havia adormecida, sem ter vontade de amar.
 Ele me fez ter vontade.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O acaso.

Ela o ouve rindo baixo enquanto olhava pela janela de sua sala.
- O que houve? – Pergunta Kate, imaginando o motivo do riso de Charlie, naquela noite fria de fim de julho – Está tudo bem?
            Ao desviar o olhar da janela, que tanto prendia sua atenção, sem ao menos saber o motivo, percebeu que Charlie a fitava com aquele riso nos lábios. Não era o riso que ela amava, era um outro.
            - Você... – Disse, respondeu-a com ternura e medo.
            - Eu? O que eu fiz desta vez, meu bem?
 Meio perdido com a pergunta, Charlie hesitou antes de responder.
            - Acho que isto é estranho... Te ver quieta, calada.
            Kate sem entender ao certo a resposta, levanta-se da cadeira e caminha em direção ao sofá azul que Charlie se encontra. Ela se senta no extremo oposto e pensa ao certo como abordar o assunto.
            Ao contrario deste momento, Kate sempre fora uma mulher decidida, dona de si. Porém, a pouco, havia perdido domínio de sua vida.
            Kate Feldon, uma mulher criada por uma família considerada liberal. Que ao invés de fazer aulas de ballet como suas amigas na infância, praticou artes márcias e violino. Que ao sair do ginásio, escolheu viajar pelo mundo, enquanto todos iam para suas faculdades renomadas.
            Ela sempre se considerou dona de seu destino. Esperta demais para se enamorar, e, consequentemente, para sofrer. Até conhecer Charlie Burton.
            Charlie, que indo ao extremo oposto de Kate, fora criado para amar e ser amado.
            Nessas tantas idas e vindas da vida, as vidas de tais deu um nó; tal qual foram entrelaçados muito mais do que se era notado.
            Se conheceram por acaso, numa excursão em que tudo deu errado. Iam mergulhar e acabaram sentados ambos nas docas por terem se atrasado. Ela, por ressacada e ele, por Marina – sua irmã caçula – que a muito vinha sofrendo do mal de não querer ir a aula.
             Depois esta dia, eles encontraram-se diversas vezes - algumas vezes por acaso, outras nem tanto - até o primeiro beijo ser trocado.
            Desde o primeiro encontro faz-se 8 meses, e de seu primeiro beijo, 6 meses e 22 dias.
            Charlie logo tornara-se essencial para Kate. Com ele, ela tivera todas suas certezas que algum dia foram dúvida. Inclusive o amor...
             Era isto, exatamente sobre isto que Kate havia vindo pensando naquele fim de tarde.
            Ela, uma mulher tão desapegada, agora via-se presa porque queria. Ela não queria partir – a não ser que ele a acompanhasse.
            Ao fitar a janela naquele longo período, Kate viu Marina e um vizinho brincando. Vista tal cena, imaginou duas crianças brancas, de cabelos negros e olhos de oceano brincando ali também... Mas, aqueles olhos de oceano só poderiam ser de uma pessoa... Sim, eram de Charlie.
            No momento em que Kate se deu conta de tal devaneio, foi exatamente interrompida com a risada baixa de Charlie, e era seu riso de guizos.
            Sentada no sofá azul, olhando aqueles olhos de oceano, deu-se conta...
            - Eu estava pensando. – Respondeu-o sem jeito.
            Ele riu, porém, não um riso debochado – nem mesmo o de guizos – era o riso simples.
            Charlie puxa-a para junto de se. Envolvendo-a com sua voz e seu corpo, acariciando seus cabelos negros, perguntou:
            - E o que há fez pensar e ficar quieta por tanto tempo?
            Kate sentindo seu corpo estremecer, sentiu seus olhos arderem. O ar faltando - como quando ocorria depois de uma de suas amadas escaldas. Por fim, já sabendo o que passava-se, concluiu, para Charlie e para si – mas muito mais para si.
             - Eu te amo.
            Neste instante, uma pequena lágrima rompeu seu olho direito – aquele mesmo olho que dizem sair a primeira lágrima de felicidade.
            Charlie sem saber o que fazer, beijou-a delicadamente na testa, acariciando sua nuca e por fim, olhando-a nos olhos, respondeu:
            - Eu também amo você, Kate.
            Não era a primeira vez em que ela ouvia-o falar isto, mas ele, sim.
            Depois de um longo abraço, beijos leves trocados, e logo após, calorosas caricias trocadas, Kate percebeu que ali, depois de tanto viajar e procurar, era o seu lugar. Ela não referia-se a cidade litorânea em que estavam, e sim, nos braços de Charlie, seu enfim, amado.

                        

Preto e o pôr-do-sol.

Ela tem os olhos que sorriem, a voz tremula e confortante.
 Seu passado lembra o meu passado. Talvez seja por isto que me dei tão bem com ela, bem a troco de nada, sem ela fazer nada por isso. Apenas por ela ser ela.
Somos incrivelmente parecidas e diferentes.
Ela psicodélica e eu tão zen. Ela preto e eu alaranjado pôr-do-sol. Ela rock e eu brisa.
Mas digo também que nela me vejo. Me vejo nos amigos, nos erros, principalmente nas tentativas. Tentativas essas, que a fazem me admirar. Ela disse: “Você é forte! Saiu dessa! Eu quero sair dessa...”
Eu sei, eu sei que não é fácil sair dessa. Não é até hoje fácil estar fora dessa, nunca é. Sabemos muito bem disso.
“Você é forte”, talvez esse forte que ela viu, seja minha capa. Aquela velha capa invisível de proteção, onde ninguém me alcança, ou se alcança, não vê o que se passa. Ela deixa-me invisível e aparentemente forte – entra aí o eu ser forte.
Sobre ela? Ela me entende. Descrição um tanto egoísta, mas é isso, ela me entende.
 Ela me acha especial, acha que tenho a áurea boa, que sou bela, e que o meu santo vai se arrepender – meu santo, aquele que me deixou por eu ser A e ele me entender Z, ela acha que eu não sou Z.
Sobre a gente? A gente nunca é bom, prefiro que sejamos eu e ela. Espero que eu e ela consigamos ser forte. Eu pare de fingir e ela seja forte de verdade. Que o que nos “liga” esteja apenas no passado...
Mas sabe o que é difícil? Em uma conversa concordamos: O passado nunca é de fato passado, porque ele sempre tá nas nossas memorias, e ficam meio que como um presente zumbindo em nossas cabeças. Louco, não? Mas é isso.
 Só espero, sinceramente continuar “fora dessa”. Que fiquemos fora dessa.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Dois.


Era uma noite bonita. Não, a lua não estava vermelha – foi na véspera da tão famosa lua de sangue. A noite estava bonita por eles.
 Não, eles não se amam, e talvez nada disso nunca mais volta a acontecer. Eles são apenas eles.
Dois corpos entrelaçados em busca de algo a muito perdido por ambos. O que eles haviam perdido? Bem, na verdade nem eles sabem ao certo, só sabem que desde então são incompletos.
Eles dois. Dois amigos de longa data, que passaram por tantos “primeiros” juntos. Agora, ali, num presente que parecia tão difícil de acontecer – mas aconteceu.
Ele, inúmeras vezes disse a ela, num passado não tão distante: “queria a sorte de ter alguém assim na minha vida.” Ela não entendia, ela estava na vida dele, mas agora entendia-o.
Ela simplesmente estava se permitindo. Permitindo-se viver e conhecer. Possuidora de um espirito livre. Talvez esse seja mais um dos motivos de isso ter acontecido. Porém, isso são coisas que eles preferem não se questionar.
Eles simplesmente resolveram viver aquele momento, único provavelmente – como todos sabem, ela não gosta de viver dois do mesmo, ela sempre gostou de coisas únicas.
Falaram, dançaram e se beijaram.
Beijaram todos os beijos a muito guardados em ambos. Uma vontade reprimida por saberem que poderia não ser certo. Mas como eles saberiam que “aquilo” não era certo se nunca experimentassem? Eles resolveram experimentar.
Dançaram sob a lua e ao som de tamborins. Eles rodopiaram e correram. Ela ficou tonta, ele carregou-a. Eles continuaram.
Falaram sobre ela – ela não entende tanto interesse que homens possuem em sua vida, para ela, é só uma vida normal, para eles, algo enigmático. Falaram sobre o dia-a-dia dela, sobre as festas, os corações que ela partiu e a sua mais nova e última vontade, a de partir – ele não sabe, mas ele é o único que sabe disso.
 Depois dormiram.
E depois do depois? Mais nada. Ela foi embora. Deram um abraço de despedida e foi isso. Sem ligações no dia seguinte.
 Não, ela não esperou uma ligação e ele sabe o que é melhor, assim sempre é melhor, eles sabem.

Heranças



Muitas pessoas julgam que herança deve ser algo material deixado por alguém que já se foi, eu discordo. Tenho muitas heranças de pessoas que ainda vivem – algumas na minha vida, e outras que estão apenas vivendo pelo mundo. E eu encaro como herança, ensinamentos que tais me deixaram.
Bem, quando eu tinha dez anos conheci três pessoas que mudaram minha concepção sobre aceitação. Uma era negra, com ela aprendi que amor não tem cor. Outra índia, com ela aprendi que tu podes ser diferente do que tua família é. E a última era gay, com ela aprendi que amar não tem escolhas.Com quinze anos aprendi com um amigo, que o amor não precisa ter lógica. Ele amou-me e aceito-me com todas as confusões existentes em mim. Nos amamos até hoje, agora de outra forma.Mas, pessoas também podem te deixar heranças bem cedo ou então deixa-las sempre. Acho que desde sempre eu tenho uma amiga, a amiga, com ela já aprendi tanto. Aprendi, quando nova, que se dançar no chão molhado pode se conseguir uma cicatriz na testa. Mas com ela, recentemente aprendi, que se você quer ir, você deve ir e que se você ama mesmo, saudades é suportável. Eu também deixei muitas heranças nela.                                              Algumas pessoas te deixam coisas ruins como herança. É meus caros, coisas ruins também permanecem em nós. Por exemplo, um certo cara deixou-me marcas de queimaduras, no corpo e na alma. Nada aparente, ninguém nunca nota, mas elas estão ali, e sempre estarão.Bem, mas quem sempre deixam-nos muitas heranças são nossos pais – não, não estou falando da casa ou do carro.Meu pai deixo-me seu bom gosto musical. Com ele aprendi o que de fato foi, e ainda é Beatles. Aprendi a beber e a fumar. Aprendi a diferenciar os tipos de lagrimas existentes. Aprendi a manter a calma, e o momento certo que uma discussão deve começar e acabar.E com a minha mãe, ah, com essa aprendi tantas coisas! Aprendi a acreditar e a confiar. Aprendi a dar novas chances e que confiança só se dá uma vez a uma pessoa – sim, eu sei que parece confuso. Ela me deixou como herança, também, que devemos amar a todos e a tudo, que apesar de não parecer, todos são merecedores disto e de perdão.Creio que por causa das coisas que ela deixo-me, sou assim, de espirito livre. Pois ela ensinou-me, também, que a vida é só uma e se não deu certo, devemos seguir. Seguir sempre. E que fazer o que se tem vontade é não errado, pois não é errado ser feliz. Ela me deixou de herança os ensinamentos mais belos que poderia adquirir.