Sabe,
tudo agora é muito estranho. Estava tão acostumada a ser nosso, que quando uso uma palavra tão egoísta quanto está, sinto-me
incompleta, e na realidade, estou.
A
quem quero enganar? Eu sei – e você também sabe – que seu lugar é, sempre foi,
e sempre será aqui, na nossa cama. Nossa...
Quando
me deixaste, estava frio, e sendo sincera, eu não sentia tanta sua falta.
O
inverno, de certa forma, me aquecia. Ele ocupava minha alma com aquele calor
superficial que os cobertores e agasalhos me proporcionavam.
Nas noites frias, eu me envolvia num casulo
artificial e passava a noite daquela forma, sem ter noção do quanto eu estava
sozinha.
O inverno passou, saí
do casulo e lá estava eu, na nossa cama – agora, apenas minha– sozinha e tendo
dimensão do quão grande ela é, ou talvez, ela nem seja assim tão enorme, e sim,
a solidão que em mim encontra-se seja...

Nenhum comentário:
Postar um comentário