domingo, 16 de novembro de 2014

Devaneio.

Não, a gente não existe mais... Então porque o “a gente” me mexe tanto? Talvez essa seja mais umas daquelas perguntas que lá no fundo eu sei muito bem a resposta, e como sei.
Hoje foi mais um daqueles dias que me peguei em um devaneio esperando que a minha vida em si fosse um devaneio, e a qualquer momento você chegaria com aquele sorriso que eu amo – sim, ainda amo – e diria: “minha pequena, aqui estou, está tudo bem!” Mas, era só um devaneio. 
Apesar dos devaneios diários, a cada dia tem muito mais fácil conviver com a dor, as vezes, chego até esquece-la por dias, porém, elas voltam. Sempre voltam.
 Hoje, como mais um dia, eu esqueci por algumas horas dela e me peguei vivendo por ai, cantando nossas músicas – aquelas que costumavam ser “nossas”. Cheguei a esquece-lo, talvez; como sempre, a vida dá um jeito de colocar-me em seus braços.
 Ele surgiu bem ali em minha frente, com aqueles cachos cor de mel, aqueles olhos vermelhos e a voz mais amarga do mundo. Bem ali, parado com o sorriso sínico que me fascina – sim, me fascina. Disse-me poucas palavras:
 - A gente pode conversar?
 “A gente”, sim, ele disse “a gente”. A mesma colocação que martelava-me a cabeça o dia inteiro. E o que fiz? Fugi, simplesmente fugi! Não, eu não consigo encara-lo, dói a alma, literalmente dói. Eu dei as costas a ele, sem repensar, apenas me virei e fui.
O que ele queria? Eu imagino o que seja; e não, eu não quero “isso” pra mim... Apesar do tal amor, eu não quero mais.
Amar por dois dá muito trabalho, um trabalho, que ao meu ver, deveria ser compartilhado, não solo.
Como eu fico após isso? Aquele velho sentimento de “era pra ser diferente” se instala. Mas não um diferente de hoje ou ontem, um diferente que não tem mais como mudar, não há como cicatrizar tantas feridas, como desculpar tantos erros, como relevar tantas dores, não há como... Infelizmente não há.
 Então eu só sigo, esperando e vivendo.

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