Depois de nossa última briga, vim
para casa como de costume, decida a
fazer todas as coisas, como de costume,
no lugar de costume, e como de costume, após estar decidida a
partir, você viria e diria as mesmas frases do estilo “tudo vai mudar, meu
doce” e eu aceitaria sua promessa e tudo ficaria bem, como de costume.
Cheguei em minha casa, o lugar de costume, fui a cozinha e bebi água.
Estava gelada, desceu rasgando minha garganta – aquilo tudo estava tão difícil
de engolir. Fechei os olhos e esperei as lágrimas, elas não vieram.
Decidi seguir com os costumes e tomar banho.
Caminhei
até meu quarto, sentei na cama, tirei meu tênis, as calças, desabotoei a blusa
cor de rosa, que você havia me dado no nosso último aniversário; fechei os
olhos e mais uma vez, nada das lagrimas.
Cheguei
ao banheiro, liguei a ducha, tirei minha calcinha e desabotoei o sutiã, entrei
no box, senti a água percorrer meu corpo. Todo este processo já era conhecido
por mim, e mais uma vez, as lagrimas não vieram, como era de costume.
Saí
do box, de corpo e alma lavados, olhei-me no espelho e vi as olheiras profundas
ressaltadas pelos meus olhos verdes claros. Nós dois sabíamos muito bem a causa
daqueles roxos.
Voltei
para o quarto, vesti meu short azul escuro e meu moletom. Retornei a cozinha
e vi nossa foto no caminho. Abri a geladeira e o telefone toca, é o porteiro:
-
Dona Lis, Seu Iago deseja falar com a sonhara. Ele pode subir?
Sim,
o de costume, agora viriam as
desculpas.
-
Pode sim. Boa noite.
Três
minutos e a campainha toca. Abro a porta e lá está você, sim, como de costume.
Você entra e começa a fazer o que faz sempre. Como
de costume, as mesmas frases, o mesmo sorriso, o mesmo olhar... Você acaba o
discurso, faz a mesma pergunta, a de
costume, então chega a minha deixa:
-
Não, Iago.
Os
costumes mudaram.

Os costumes precisam mudar de vez em quando mesmo ;}
ResponderExcluirAmei seu texto, Amanda, como escreves bem! ><
Beijos
http://mon-autre.blogspot.com.br/