terça-feira, 12 de agosto de 2014

Preto e o pôr-do-sol.

Ela tem os olhos que sorriem, a voz tremula e confortante.
 Seu passado lembra o meu passado. Talvez seja por isto que me dei tão bem com ela, bem a troco de nada, sem ela fazer nada por isso. Apenas por ela ser ela.
Somos incrivelmente parecidas e diferentes.
Ela psicodélica e eu tão zen. Ela preto e eu alaranjado pôr-do-sol. Ela rock e eu brisa.
Mas digo também que nela me vejo. Me vejo nos amigos, nos erros, principalmente nas tentativas. Tentativas essas, que a fazem me admirar. Ela disse: “Você é forte! Saiu dessa! Eu quero sair dessa...”
Eu sei, eu sei que não é fácil sair dessa. Não é até hoje fácil estar fora dessa, nunca é. Sabemos muito bem disso.
“Você é forte”, talvez esse forte que ela viu, seja minha capa. Aquela velha capa invisível de proteção, onde ninguém me alcança, ou se alcança, não vê o que se passa. Ela deixa-me invisível e aparentemente forte – entra aí o eu ser forte.
Sobre ela? Ela me entende. Descrição um tanto egoísta, mas é isso, ela me entende.
 Ela me acha especial, acha que tenho a áurea boa, que sou bela, e que o meu santo vai se arrepender – meu santo, aquele que me deixou por eu ser A e ele me entender Z, ela acha que eu não sou Z.
Sobre a gente? A gente nunca é bom, prefiro que sejamos eu e ela. Espero que eu e ela consigamos ser forte. Eu pare de fingir e ela seja forte de verdade. Que o que nos “liga” esteja apenas no passado...
Mas sabe o que é difícil? Em uma conversa concordamos: O passado nunca é de fato passado, porque ele sempre tá nas nossas memorias, e ficam meio que como um presente zumbindo em nossas cabeças. Louco, não? Mas é isso.
 Só espero, sinceramente continuar “fora dessa”. Que fiquemos fora dessa.


Nenhum comentário:

Postar um comentário