Ela tem os olhos que sorriem, a
voz tremula e confortante.
Seu passado lembra o meu passado. Talvez seja
por isto que me dei tão bem com ela, bem a troco de nada, sem ela fazer
nada por isso. Apenas por ela ser ela.
Somos incrivelmente parecidas e diferentes.
Ela psicodélica e eu tão zen. Ela
preto e eu alaranjado pôr-do-sol. Ela rock e eu brisa.
Mas digo também que nela me vejo.
Me vejo nos amigos, nos erros, principalmente nas tentativas. Tentativas essas,
que a fazem me admirar. Ela disse: “Você é forte! Saiu dessa! Eu quero sair
dessa...”
Eu sei, eu sei que não é fácil
sair dessa. Não é até hoje fácil estar fora dessa, nunca é. Sabemos muito bem
disso.
“Você é forte”, talvez esse forte
que ela viu, seja minha capa. Aquela velha capa invisível de proteção, onde
ninguém me alcança, ou se alcança, não vê o que se passa. Ela deixa-me
invisível e aparentemente forte – entra aí o eu ser forte.
Sobre ela? Ela me entende.
Descrição um tanto egoísta, mas é isso, ela me entende.
Ela me acha especial, acha que tenho a áurea
boa, que sou bela, e que o meu santo vai se arrepender – meu santo, aquele que
me deixou por eu ser A e ele me entender Z, ela acha que eu não sou Z.
Sobre a gente? A gente nunca é
bom, prefiro que sejamos eu e ela. Espero que eu e ela consigamos ser forte. Eu
pare de fingir e ela seja forte de verdade. Que o que nos “liga” esteja apenas
no passado...
Mas sabe o que é difícil? Em uma
conversa concordamos: O passado nunca é de fato passado, porque ele sempre tá
nas nossas memorias, e ficam meio que como um presente zumbindo em nossas
cabeças. Louco, não? Mas é isso.
Só espero, sinceramente continuar “fora
dessa”. Que fiquemos fora dessa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário